segunda-feira, 29 de junho de 2009

Como posso ajudar?

Há alguns anos desenvolvia dinâmica conversa com o Fernando e a Débora sobre questões sociais, o que sempre vinha à tona. Após alguns minutos de bate-papo, a pergunta que surgiu foi: o que podemos fazer para ajudar nossa sociedade? Na época, não soube responder.

Depois que me juntei ao trabalho internacional de ajuda humanitária, percebi que ser voluntário é apenas uma questão de saber buscar oportunidades.

Em 2009, enquanto esperava ser chamado para embarcar no trabalho a bordo de um navio, precisei fazer alguns exames médicos e isso me levou ao posto de saúde de Sousas. Que situação desagradável!

Várias coisas me tiraram do sério: ver tanta gente precisando de atenção, ver a deficiência do trato dos atendentes com aquelas pessoas necessitadas, a demora com que o atendimento era feito, a falta de informação disponível para saber a hora que seria chamado. No final, percebi que o local não era dos piores. Foi então que me toquei que tinha mesmo que agradecer por pelo menos contar com tal estrutura mínima.

Ao mesmo tempo olhei para todas aquelas pastas e documentos e pessoas e processos acontecendo ao mesmo tempo e me perguntei: como eu poderia ser útil a este local? Aposto que eu poderia ajudar de alguma maneira.

Conversei com a enfermeira encarregada e em alguns minutos conseguiria o telefone da coordenadora do local.

Foi necessário apenas um telefonema para deixar minha mensagem de disponibilidade de ajudar na área administrativa. Me ofereci para ser voluntário fazendo qualquer coisa, e eu disse, qualquer coisa, na área administrativa, para ajudar. Mencionei minhas habilidades e me coloquei à disposição.

Levou 2 semanas para receber um sim e então comecei a auxiliar. Agora eu tinha algo para fazer.

Sou recebido no meu primeiro dia pela coordenadora Lucia que me pediu para atualizar um cadastro dos pacientes do posto de saúde. Posteriormente descobri que esse cadastro continha 46 mil registros.

Não leva muito tempo para perceber que meu trabalho não estava rendendo muito. Condições totalmente desfavoráveis: computador 486 e um programa DOS nada confiável para rastrear informações sobre pacientes.

Surge a idéia de levar o conteúdo para o Excel, o que ajudaria sobremaneira no mais rápido e confiável acesso dos dados cadastrados. Começo a pesquisar com meu irmão Joel a viabilidade e em alguns dias obtenho o consentimento de levar a velha máquina para dar uma volta. Os dados então são tirados do computador antigo e tinha nas mãos a possibilidade de direcioná-los agora a qualquer máquina.

Instalo os 46 mil registros num computador muito mais novo na própria recepção e, separando por ordem alfabética... Voalá!!! Temos nas mãos uma máquina muito mais veloz e um programa muito mais simples para pesquisar da forma como as pessoas melhor quiserem, o que não ocorria no programa anterior.

Imediatamente, formulo um pequeno documento padrão para fazer pesquisas, alterações ou inclusões e aplico o treinamento a todos os que necessitavam saber. Pronto! Mais um feito.

Em seguida, está na hora de trabalhar em algo mais produtivo. Agora conheço um pouquinho mais a lógica do trabalho das meninas na recepção e, após consulta com a enfermeira encarregada, a Flávia, começo a trabalhar de forma muito mais direta no cadastro dos pacientes atualizando o banco de dados tanto físico, contido em milhares de pastas das prateleiras na recepção, quanto virtual, no banco de dados em Excel.

Antigamente, ficava no máximo 3 horas verificando as informações cadastradas, agora passo no mínimo 7 horas direto, produzindo muito mais, realizando muito mais, ajudando muito mais.

Em 7 dias consigo atualizar 1200 registros de pacientes de várias famílias. O banco de dados do posto de saúde de Sousas está ficando cada vez mais confiável para pesquisar. Além disso, um padrão de inclusão e modificação de dados foi adotado, o que facilita a pesquisa.

Nada muito complexo. O que eu fiz e ainda estou fazendo é algo que qualquer outro simples mortal como eu poderia fazer. Os avanços e melhorias que foram realizados não são grandes feitos. No entanto, estão ajudando as meninas da recepção desse centro de saúde a trabalharem em melhores condições, diminuindo um pouco o estresse da cansativa rotina de lidar com pessoas doentes e descontentes num ambiente de poucos recursos.

Hoje, se alguém me pergunta: o que podemos fazer para ajudar a fazer deste mundo um local melhor? A resposta é simples: vá lá fora, ao mundo, e doe-se. Ofereça-se! Muito pode ser feito e todos precisam de alguma ajuda.

Então, vamos ajudar!

2 comentários:

romano disse...

Sabe Daniel, hoje pela manhã recebi um email que me dexou muito triste...um clip da Alanis Morissetti nada diferente do clip de Michael Jackson...onde eles monstram imagem do mundo sendo devastado por nós...pessoas morrendo de fome...etc..etc..
Quantas vez vamos ver isso...o que nós estamos esperando para fazer algo...estamos esperando não termos mais ESPERANÇA...!!! Sei que posso fazer mais...e por essa razão enviei o mesmo email para todos meus AMIGOS...e juntos vamos descobrir uma maneira de fazermos muito mais por nós mesmo e pelo nosso próximo. AH...vc esta convidadooo...para esta CORRENTE DO BEM...até mais.

Sonia Romano
Santo André SP

Emerson disse...

" vá lá fora, ao mundo, e doe-se. Ofereça-se!"
E algo que tenho que aprender a fazer. Enfrentar o medo e a comodidade e fazer algo.

Emerson