domingo, 3 de agosto de 2008

O herói nosso de cada dia

Todos queremos ser heróis. A cultura estado-unidense de construi-los invade nossos lares diariamente buscando dentro de nós a vontade de desenvolver o querido superman potencial que o ser humano carrega.

Na verdade essa questão de herói vem de muito antes da história Hollywoodiana. É necessidade humana a de sermos aceitos e reconhecidos pelo grupo, de sermos melhores, de tornarmo-nos o macho dominante, além da carência emocional nata, e isso movimenta uma vontade contínua de encontrar uma forma para fazer tudo isso vir à tona. Razão pela qual queremos ser heróis da grande massa. Mas isso nunca ocorre e buscamos ser ícones de pelo menos uma ou outra pessoa. Da namorada, do filho, daqueles mais próximos que de alguma maneira apreciam nossas características.

Mas como se tornar um verdadeiro herói?

Mais ou menos 1 mês atrás fui assistir uma palestra da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), em São Paulo, e a palestrante perguntou ao público, quem define a nossa forma de atuar no mundo, nós ou os outros? Para complementar o questionamento veio uma outra pergunta: se alguém te trata mal, você responde com que tipo de atitude? A partir dali ficou fácil perceber que eu mesmo, por mais que acostumado a buscar alternativas melhores para atuar na vida, em algumas situações ainda permito aos outros serem responsáveis pelos meus atos.

Se estou bem e alguém de mau humor me influencia negativamente a tratá-lo com a mesma moeda, quem definiu minhas ações? Desde então passei a perceber melhor minha forma de atuar frente a situações contraditórias.

Ser o herói nosso de cada dia nos traz a esse encontro com uma realidade que todo herói de Hollywood tenta externalizar através do exemplo, o de que o ser humano tem o potencial de ser bom o bastante para inspirar os outros a se tornarem pessoas melhores. Ao mesmo tempo, pelo fato daqueles heróis na maioria das vezes ter superpoderes que o distanciam de alguém comum, achamos que honestidade, carinho, responsabilidade, corretismo, não fazem parte da rotina de um qualquer, mas de um super-ser-humano que pode voar e deter a queda de um avião com sua superforça e destreza, algo que, sabemos, não existe.

Para mim, cada um tem a capacidade de ser um herói deste mundo e influenciá-lo a partir do que o Mestre DeRose chamou de Revolução Silenciosa. Segundo o SwáSthya Yôga, o ser humano deve sempre tornar-se alguém melhor tanto para si quanto para os outros, podendo servir de exemplo aos demais que queiram seguir o mesmo caminho. Esse é o tipo de revolução que todos deveriam esforçar-se por realizar em vez de pensar em atrocidades e perpetuação da violência fácil e instintiva.

Pois bem, este texto e os próximos nos demonstram uma forma interessante de pensarmos sobre a questão de desenvolver o amor-próprio, a auto-estima e a originalidade e sermos, nós mesmos, nossos heróis. O que é relativamente simples, porém, exige uma capacidade de entendimento básica de alguns conceitos que vêm atrelados a ações do dia-a-dia, dando-nos a possibilidade de compartilhar o melhor que cada um tem para oferecer.

Então vamos começar a atuar conforme aquilo em que acreditamos, de forma madura, e esperando apenas uma possibilidade de conhecermos e curtirmos esse homem ou mulher de capa que repousa adormecido(a) em nós e aguarda uma oportunidade para mostrar o verdadeiro poder do que denomino As pequenas gentilezas do dia-a-dia. Aguarde!

Com carinho,
Daniel Franco

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Uma conversa com o Mestre

Minha conversa de hoje com o Mestre DeRose foi muito gostosa. Foi tão boa que deixou uma sensação agradável o suficiente para motivar-me e gerar este pequeno texto.

Tudo começou com minha mudança de rumo como profissional de SwáSthya Yôga, desvinculando-me como professor da Escola Cambuí e dando inicio ao meu próprio negócio no bairro Guanabara, também em Campinas.

Com isso vieram muitas preocupações, principalmente de ordem ética para atuar em conformidade com as determinações e estratégias da Uni-Yôga. Por isso resolvi ir diretamente à pessoa que escolhi para ser meu Mestre em Yôga, o DeRose, sistematizador do SwáSthya, o Yôga que professo.

Confesso que estava muito apreensivo com a visita. Visitá-lo é sempre algo muito importante. Ficar frente a frente com alguém tão importante para o Yôga nestes últimos dois séculos é algo que pode chegar a tirar o sono.

Inicialmente me preocupei com que assuntos deveria tratar, fiz uma pequena lista, pois sei que o DeRose é muito ocupado e não lhe tomaria muito tempo, mas depois percebi que a conversa deveria ser algo mais descontraído, como que contando uma história.

Como demonstração de carinho e agradecimento pela oportunidade do bate-papo resolvi comprar um presente para o Mestre e outro para a sua secretária, a Vivi. Estou começando a notar que gosto de dar presentes.

A reunião estava marcada para as 20h30 e para minimizar riscos decido sair de casa às 16h. O meu ônibus para São Paulo sai às 17h então tenho tempo para um sorvete de casquinha. Embarco e caio na embriagues do sono que me persegue. Acordo, já escuro em São Paulo, sentindo o corpo recuperando-se, meio anestesiado pelo descanso em fim de tarde. Mais 40 minutos levamos da Marginal Tietê até a Rodoviária, mas tinha tempo. Havia me preparado em sair de casa mais cedo justamente para viajar despreocupado.

Pego o metrô e ao desembarcar na estação Consolação aproveito para passar por onde anos atrás era um percurso para o trabalho, logo ali, na paralela Alameda Santos. Minha primeira parada, uma conhecida floricultura numa esquina da Alameda Jaú, a duas quadras da casa do DeRose. Compro um bonito arranjo de Gerberas, as flores da casa, e deixo no cartão meus sinceros agradecimentos pelo exemplo dessa pessoa vitoriosa impulsionada por tantos desafios. Algumas quadras dali, minha segunda parada, um supermercado. Busco então o presente para a Vivi. Desta vez, uma caixa de chocolates Ferrero Rocher. Não, não. Entregar na sacolinha do Pão de Açúcar, isso não tem perdão! Compro um papel presente apropriado e deixo ali minha assinatura de preocupar-me com os detalhes.

Vou todo contente com um ramo de flores na mão e um presente embrulhado em papel dourado e azul desfilando entre olhares curiosos. Chego na Escola e o Beto me recebe no meio à correria de um atendimento. Enquanto aguardo, encontro pessoas interessantes para conversar. Falamos de franquias e investimentos, falamos de restaurantes e sento-me ao lado de uma linda moça para comentar sobre churrascarias, ótimas para uma refeição com bastante variedade e sem carnes. Não deu nem para me empolgar e sou chamado pela Vivi para subir e aproveitar os poucos minutos que o Mestre ainda tem antes de dar sua tradicional aula de terça à noite. Só aí faço questão de entregar o primeiro presente.

Subo as escadas do prédio e dou de cara com a presença humana forte e marcante do meu Mestre à minha frente. A Vivi, para dar conta rapidamente do que estava na mesa faz uma investida meio malabarista e derruba um pouco de líquido sobre um impresso na mesa de trabalho do DeRose. A resposta? Cordialidade com um não tem problema, não aconteceu nada de mais. Que gostoso ouvir tal tratamento da boca dessa figura enigmática.

A sala, tão cheia de quadros e livros que alguns dos certificados do Mestre estavam em pé, encostados sobre o sofá do escritório aguardando por algum cantinho na parede para receberem o tratamento adequado: serem pendurados e expostos. As muitas medalhas, também prova do reconhecimento social, competindo por um pouco de espaço na esquina das várias prateleiras de sua livraria. Percebia que ali não cabia mais nada. Entrar nessa sala é como aventurar-se no espaço e no tempo e projetar-se para um lugar que não é aqui nem a Índia...

Sento-me frente à frente do codificador do Yôga Antigo e começamos uma conversa tão gostosa, que não dava vontade de ir embora. É impressionante quando nos colocamos a conversar com pessoas inteligentes que entendem o que queremos transmitir com rapidez e tão rapidamente respondem com um comentário muito adequado e que valoriza e melhora ainda mais a qualidade da conversa. Tinha tanto para falar, tanto para trocar.

Saio de sua sala com vontade de conversar ainda mais com ele sobre as coisas da vida. Me convidou para continuarmos nosso bate-papo depois da aula, mas não estava preparado para passar a noite em São Paulo. Assuntos ficaram pendentes, mas já estava muito contente pela disposição de alguém que poderia facilmente dizer não ter tempo para ninguém. Ao contrário, recebe seus discípulos com a atenção que todo ser humano merece. A esse Mestre, deixo aqui meu carinho.
Sinceramente,

Daniel Franco

segunda-feira, 23 de junho de 2008

As drogas que não fazem mal

Hoje fui para São Paulo assistir um curso do Mestre DeRose que abordava o tema karma e dharma, desenvolvendo o conceito referente às nossas ações e alguns de seus possíveis desdobramentos.

Num determinado momento tocou num assunto bem esclarecido para os que conhecem e praticam a filosofia do SwáSthya Yôga, público daquele curso. Tratava sobre as drogas e da sua presença na nossa cultura.

Na nossa sociedade, há drogas e drogas. Algumas delas, como a maconha, a cocaína, o LSD, são proibidas, proibições rigorosas estas capazes de alocar os dependentes químicos em indesejadas e excludentes rodas da sociedade. Mas há outras mais comuns, como o cigarro e o álcool, que nem são levadas a sério, de tal forma que sequer são vistas como drogas pela mente comum e menos atenta. Ao contrário, são tão poderosas formas de socialização que as pessoas sentem-se pressionadas a consumir o dito veneno.

O álcool e o fumo estão de tal forma inseridos na nossa cultura que me lembra um cenário na Mama África. Quando fui até lá dar uma força para a formação de professores na aldeia Bilibiza, percebi a receptividade muito negativa dos moradores locais, nosso público-alvo. Eu me perguntava, por que essas pessoas que tanto sofrem vivendo em precárias condições não vêem a nós, voluntários que trabalham para seu desenvolvimento, como seus melhores aliados? A resposta era mais simples do que poderia imaginar: Porque eles não precisam de ajuda! A história deles está permeada pelas mesmas circunstâncias desde os tempos remotos. Foi assim que seus avôs viveram e morreram, que seus pais viveram e morreram, e é assim que eles estão vivendo e morrerão. É parte da sua cultura, é a vida que conhecem e à qual se acostumaram.

Comparando com nossa situação no continente Americano, estamos introduzidos num ambiente em que algumas drogas fazem parte da cultura. Elas vão nos consumindo, nos matando pouco a pouco, nos fazendo acostumar com o aumento lento de mal-estar e penar, e quando menos percebemos, adquirimos todos os males aos quais estamos acostumados. Males que foram a causa da morte dos nossos avós, pais e provavelmente serão a causa da nossa morte. O pior é que passaremos esse legado aos nossos filhos e eles nem perceberão que estão sendo consumidos pelas drogas que "não fazem mal", e por isso são "permitidas".

Diabetes, AVC, câncer de pulmão, pressão alta, complicações hepáticas, entre dezenas de outras doenças estão na lista das que adquirimos por anos a fio de dedicação envenenando nosso precioso corpo, instrumento perfeito de evolução.

Coisas simples do dia-a-dia nos tomam a vida vagarosamente. Quantos anos será que perdemos todos os meses devido à alimentação deficiente, ao envenenamento dos nossos sistemas orgânicos pelas emoções e pensamentos pesados e pela falta de respirar com totalidade e aproveitar o potencial dos nossos pulmões em absorver e assimilar energia?

Quantos anos de vida será que os praticantes de SwáSthya Yôga ganham a cada aula? E de cultura? E de descobrimentos pessoais que não tem preço e que essa filosofia milenar proporciona? Ao certo não se sabe, mas comparando a vida de um frequentador dessa prática com seus colegas da mesma idade que vivem a rotina dos vícios sociais, é fácil percebermos a diferença na saúde física, emocional e mental, neles, às vezes, visivelmente comprometidas.

Karma é assim. Nem bom nem ruim. Mas pode ser ambos. Aproveitemos o poder das nossas escolhas para atuar naquilo que possibilite desenvolver nossa saúde, bem-estar e prazer na vida.

Aos praticantes de filosofias de autoconhecimento, parabéns pela escolha rumo a mais energia, vitalidade e consciência!

Com carinho,
Daniel Franco

Trechos deste texto foram retirados do curso Karma e Dharma, do Mestre DeRose.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A arte de fazer caridade

Ontem, numa interessante conversa com a Gerente de Negócios e Oportunidades de uma de nossas empresas-clientes de Yôga Laboral, abordei um assunto que há muito tempo me chama a atenção. Falei sobre a caridade.

Para entrar nesse assunto mencionei uma frase bíblica bastante conhecida: Amai ao próximo como a ti mesmo. Analisando bem, essa frase insita ao autoconhecimento, já que exige de cada um de nós desenvolver o amor próprio para depois levá-lo, naturalmente, ao outro.

Porém, vejo gente que utiliza a "caridade" como uma forma de encontrar um pouco da felicidade escassa, quando na verdade ela deveria ser como uma parceira, esposa ou marido. Minha vida sem uma parceira é boa, é interessante, é gostosa, sinto-me bem e aprecio cada momento como uma oportunidade de crescimento. Já a vida com uma parceira é uma dádiva, é estar com alguém que me faz sentir ainda melhor, é ter alguém ao meu lado para crescer comigo, para me impulsionar e vice-versa e construirmos juntos algo positivo para ambas as partes.

Por que então a caridade virou sinônimo de busca alternativa de um pouco de felicidade?

Porque nos negamos a oportunidade de conhecer-nos melhor, porque não sabemos o que realmente nos faz felizes e buscamos desesperadamente o que fomos ensinado a buscar desde criança: a aprovação alheia.

Trabalhe o autoconhecimento e aprenda a fazer caridade.

Essa jornada é longa e uma evolução constante de ideal. Vale a pena, pois em primeiro lugar é libertadora.

Com carinho,

Daniel Franco
Consultor de Qualidade de Vida e Autoconhecimento

terça-feira, 25 de março de 2008

Ao encontro de seres especiais

Jornal: mais uma morte, mais um assalto, mais um seqüestro, mais algo ruim acontecendo. A mídia é tão focada em assuntos polêmicos e negativos que pensamos só existir desgraça e gente ruim neste planeta. Mas as coisas não são bem assim.

Quando resolvi ir para a África, envolvido num projeto de ajuda humanitária, fazia parte do projeto passar pelos EUA para um período preparatório que, entre outras atividades, envolvia levantar U$ 6.000 para arcar com os custos de hospedagem, alimentação e transporte de todo o meu programa internacional.

Para essa coleta preparávamos uma pasta de apresentação (binder), com fotos da nossa Escola e do programa voluntariado em questão. Munidos dela, íamos a várias cidades pedindo contribuições. Foi assim que conheci Washington DC, Albany, Syracuse, Boston, Chicago, Evanstone, Montpelier, Burlington, Princeton, Philadelphia, Williamstown e outras cidades.

Como foi chocante essa experiência. Lembro-me quando cheguei ao centro de Boston, onde tinha que abordar as pessoas andando nas calçadas solicitando donation para arrecadar minha cota diária. Fiz uma ou duas abordagens e em seguida sentei, estarrecido, congelado, totalmente fora de ação em algum lugar daquela praça no centro da cidade.

Pouco a pouco fui me soltando e me foquei em pedir dinheiro batendo nas portas das casas. Foi um processo doloroso receber tantos não, mas no meio das negativas sempre conseguia uma recepção muito positiva. Lembro com emoção quando, na cidade de Ithaca, NY state, uma mulher me fez um cheque de U$ 350,00. Nossa! Aquilo foi o cúmulo do "bom demais"!

E quando batia nas portas das casas e não me davam nada, pensava eu: não importa quantos digam não, porque no meio desses encontrarei os que estão esperando por alguém como eu para ajudar. Como era bom quando encontrava aquela alma compreensível, que me recebia com um sorriso e palavra sincera, com um gesto de carinho e um cheque na mão, depositando em mim um pouco das suas esperanças. Como aquilo me fazia sentir humano novamente. E assim, após 6 meses nesse duro e enriquecedor processo, debaixo de sol, chuva e neve, consegui levantar o dinheiro necessário!

Sou muito grato a essas pessoas por terem confiado em mim e feliz pela experiência que me fez perceber que há, em todo lugar, pessoas muito boas aguardando alguém em quem investir essa bondade em prol de algo construtivo.

Quando estou envolvido em algo novo sempre penso: vou encontrar aqueles seres especiais que farão parte desta empreitada. E como é bom encontrá-los...

Com carinho,

Daniel Franco
Instrutor de SwáSthya Yôga
Consultor de Qualidade de Vida e Autoconhecimento
Formado pela Primeira Universidade de Yôga
www.yogacampinas.com.br
www.uni-yoga.org

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

“Deixa a vida me levar, vida leva eu...”

O Brasil é um país fantástico: natureza top de linha, gente bonita e sensual, calor, saias, pernas para fora, corpos malhados, sensualidade à flor da pele. E aí vem a nossa raiz africana no seu samba, para nos deixar ainda mais irresistíveis, com Zeca Pagodinho no ritmo do “Deixa a vida me levar, vida leva eu. Sou feliz e agradeço por tudo o que Deus me deu.” Lindo, não?

Como essa frase me deixa preocupado...

Trabalhei numa multinacional por seis anos e me sentia bem pelo reconhecimento e ascensão graças ao meu envolvimento e esforço. De chão de fábrica me tornei parte do departamento de Qualidade, na matriz em São Paulo, e junto com o conteúdo aprendido na faculdade, adquiri a experiência necessária para o meu próximo trabalho.

Ainda no primeiro emprego sentia que minha vida estava estagnada. Num momento de reestruturação da empresa, fui inserido no mais novo grupo de desempregados. Isso me deu a oportunidade de ser convidado pelo Eduardo Amorim para trabalhar numa outra multinacional brasileira que precisava de fluxos de suas operações para auditorias técnicas internas.

O triste é que eu não estava bem. Ganhava um salário até legal, numa empresa boa e ainda com a perspectiva de um bom desenvolvimento de carreira, principalmente por ter um chefe muito competente. Como solteiro podia contar com uma certa tranqüilidade, mas me sentia incomodado pois tinha certeza que alguma coisa estava muito errada no rumo que minha vida tomava.

Após refletir sobre minha condição cheguei à conclusão de que começava a despertar de um sono longo. Detestava levantar com aquele irritante despertador para mais um dia de trabalho; os transeuntes e motoristas, sempre agressivos, mal humorados, com uma educação digna de quem está de mal com a vida. Quando chegava na empresa percebia que uma das poucas formas de alguém puxar papo era falando mal de alguma coisa, qualquer coisa, ou reclamando de algo. Isso me estressava mais.

Enquanto estava no trabalho não me sentia envolvido e então queria logo ir embora ou passar o tempo fazendo algo agradável, como me comunicando de minha prisão com o resto do mundo via internet. Adentrava, então, no rol daqueles que poderiam produzir mais, mas não conseguiam. Quando finalmente saia do trabalho, ficava feliz, mas não por muito tempo, pois tomava conta de mim a ansiedade de saber que em poucas horas teria que me deitar para recomeçar mais um daqueles longos dias de labor.

O dia mais esperado era a sexta-feira, justamente porque significava a liberdade do final de semana. Mas durante esses poucos dias de descanso, mais uma vez me invadia a agonia ao lembrar que todo o martírio diário citado acima se repetiria, semana após semana. E então, desesperado, acabava com minhas energias tentando suprir meu descontentamento rotineiro com a felicidade comercial que conhecemos. There was no mercy.

Ao observar a vida de amigos, de pais de amigos e de várias outras pessoas, pensava se a minha também teria o mesmo destino de contínuo sofrimento e insatisfação.

Não podia acreditar que isso estava acontecendo comigo. Será que a vida TINHA que ser tão ruim?

Então decidi fazer algo. Inspirado por Jack Welch e sua paixão pelo trabalho, resolvi procurar algo que eu realmente gostasse de fazer, que me desse alegria pela vida. Foi assim que, através da Robertinha Saporetti, me envolvi num programa voluntariado do IICD – Institute for International Cooperation and Development, com sede na Dinamarca, e fui aos EUA entrar numa série de desafios pessoais que me colocaram numa escola preparatória de professores na aldeia de Bilibiza, ao norte de Moçambique, na África[1]. Afastado da loucura que nos toma a vida e envolvido numa façanha de cunho pessoal, pude refletir um pouco mais sobre o que queria para mim.

Maravilhado com a proposta feita pelo Mestre DeRose através do livro Yôga, Mitos e Verdades, decidi tornar-me instrutor de SwáSthya Yôga, filosofia de desenvolvimento humano que comecei a praticar antes da viagem. Quando cheguei ao Brasil tomei esse rumo e desde então minha jornada ao autoconhecimento foi acelerada.

Hoje estou aqui, digitando este texto como exemplo do que a vida pode ser, feliz pelas escolhas que fiz, trabalhando para apresentar uma ferramenta de como viver mais e melhor às pessoas e vendo, com tristeza, essas e muitas outras descontentes, sofrerem todos os dias por viver o fatalismo expresso na frase “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. E isso não é nada divertido.

Motiva-me compartilhar esta história saber que são poucos os que têm consciência de que precisamos aprender a lidar com a vida melhor do que o fazemos. Precisamos aprender a conciliar desenvolvimento da nossa felicidade e sucesso profissional, para que quando cheguemos no topo, não estejamos envolvidos nos 85% dos executivos brasileiros que estão frustrados com suas carreiras.

Sei que não é tarefa fácil escutar a voz interior que clama por ser ouvida e sei que nem todo o mundo tem as mesmas condições para realizar o que deseja. Mas uma coisa é certa, quando acordamos para a possibilidade da vida ser definida por nós mesmos e por mais ninguém, portas mil se abrem e o mundo fica muito maior e interessante do que pensávamos ser.

As oportunidades estão aí. Todos nós merecemos o melhor que a vida pode nos oferecer. E isso inclui você.

Com carinho,


Daniel Franco
Instrutor de SwáSthya Yôga

Consultor de Qualidade de Vida e Autoconhecimento
Formado pela Primeira Universidade de Yôga do Brasil
http://www.yogacampinas.com.br
http://www.uni-yoga.org.br

[1] Essa história fica para uma outra hora.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Permita-me filosofar

No começo pensei nos meus textos com caráter de auto-ajuda. Algo do tipo: “10 passos para ter um dia melhor no volante“, ou “Procedimento para se relacionar melhor“. Então lembrei o que tanto menciono quando ofereço meus serviços de Qualidade de Vida e Autoconhecimento às empresas: se auto-ajuda resolvesse algo, não venderia tantos livros. Cada um compraria no máximo uns 3. Um do tipo “Como amar e ser amado“, outro para “Como ficar rico“ e o terceiro para “Como ser feliz e sentir-se realizado“.

Poucas são as pessoas que têm energia e força de vontade suficientes para levar adiante processos como esses apenas através de livros. Por isso vendem-se tantos deles. A pessoa lê, dá aquele peso na consciência, se compromete em fazer, mas no final, nada! Sente-se um pouco culpado, mas ao mesmo tempo já pode dar melhores lições de moral aos seus colegas ainda não conhecedores da grande revelação. Isso ajuda a minimizar a culpa - pelo menos ajuda os outros. Vai na livraria e encontra um OUTRO livro de auto-juda e... Pronto! Agora sim vou resolver a minha vida. E lá vai novamente mentir para si mesmo. Quanto sofrimento...

Depois disso pensei, “Não quero que ninguém se sinta culpado por não fazer o que recomendo. Vou então apenas compartilhar, conversar, trocar idéias com as pessoas. Quem se sentir com vontade de tentar fazer algo espelhado nas minhas ações, idéias ou observações, legal. Quem não, tudo bem. Estou aqui somente para mostrar mais uma forma de ver a vida e lidar com ela. Uma filosofia de vida. Uma opção saindo do padrão, criando um novo.

Eu sempre gostei de conversar com as pessoas desenvolvendo idéias a respeito das coisas rotineiras, do porquê delas e da melhor forma para lidar com situações específicas. O que fazer para ter uma vida melhor? As coisas TÊM que ser melhores do que aquilo que geralmente se conhece.

A vida pode ser sempre melhor. Vamos ver se pode mesmo?

Com carinho,

Daniel Franco
Instrutor de SwáSthya Yôga
Consultor de Qualidade de Vida e Autoconhecimento
Formado pela Primeira Universidade de Yôga do Brasil
http://www.yogacampinas.com.br/
http://www.uni-yoga.org.br/