Procuro, à razão do desejo que me toma, desenvolver auto-disciplina para não fraquejar à chamada da natureza, gritante em meu interior feito uma energia selvagem que em sua essência me possibilita a embriaguês única a meu alcance.
É nessa melodia que meu corpo, todo ouvidos, busca o lenitivo. Mas, e a minha alma? Aquela que se encontra presa? Em que mata suas vontades? Numa oração? Na caridade? Haverá, enfim, como conciliar o desejo do corpo com a necessidade do espírito? Há lugar para tal encontro?
Que seja, então, no sexo contemplativo, que minha parte mais sutil se desafogue no mundo pesado das formas, admirando o que há de mais belo, além dos olhos, enquanto vêem a carne desnuda de uma humana e uma deusa.

