domingo, 3 de agosto de 2008

O herói nosso de cada dia

Todos queremos ser heróis. A cultura estado-unidense de construi-los invade nossos lares diariamente buscando dentro de nós a vontade de desenvolver o querido superman potencial que o ser humano carrega.

Na verdade essa questão de herói vem de muito antes da história Hollywoodiana. É necessidade humana a de sermos aceitos e reconhecidos pelo grupo, de sermos melhores, de tornarmo-nos o macho dominante, além da carência emocional nata, e isso movimenta uma vontade contínua de encontrar uma forma para fazer tudo isso vir à tona. Razão pela qual queremos ser heróis da grande massa. Mas isso nunca ocorre e buscamos ser ícones de pelo menos uma ou outra pessoa. Da namorada, do filho, daqueles mais próximos que de alguma maneira apreciam nossas características.

Mas como se tornar um verdadeiro herói?

Mais ou menos 1 mês atrás fui assistir uma palestra da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), em São Paulo, e a palestrante perguntou ao público, quem define a nossa forma de atuar no mundo, nós ou os outros? Para complementar o questionamento veio uma outra pergunta: se alguém te trata mal, você responde com que tipo de atitude? A partir dali ficou fácil perceber que eu mesmo, por mais que acostumado a buscar alternativas melhores para atuar na vida, em algumas situações ainda permito aos outros serem responsáveis pelos meus atos.

Se estou bem e alguém de mau humor me influencia negativamente a tratá-lo com a mesma moeda, quem definiu minhas ações? Desde então passei a perceber melhor minha forma de atuar frente a situações contraditórias.

Ser o herói nosso de cada dia nos traz a esse encontro com uma realidade que todo herói de Hollywood tenta externalizar através do exemplo, o de que o ser humano tem o potencial de ser bom o bastante para inspirar os outros a se tornarem pessoas melhores. Ao mesmo tempo, pelo fato daqueles heróis na maioria das vezes ter superpoderes que o distanciam de alguém comum, achamos que honestidade, carinho, responsabilidade, corretismo, não fazem parte da rotina de um qualquer, mas de um super-ser-humano que pode voar e deter a queda de um avião com sua superforça e destreza, algo que, sabemos, não existe.

Para mim, cada um tem a capacidade de ser um herói deste mundo e influenciá-lo a partir do que o Mestre DeRose chamou de Revolução Silenciosa. Segundo o SwáSthya Yôga, o ser humano deve sempre tornar-se alguém melhor tanto para si quanto para os outros, podendo servir de exemplo aos demais que queiram seguir o mesmo caminho. Esse é o tipo de revolução que todos deveriam esforçar-se por realizar em vez de pensar em atrocidades e perpetuação da violência fácil e instintiva.

Pois bem, este texto e os próximos nos demonstram uma forma interessante de pensarmos sobre a questão de desenvolver o amor-próprio, a auto-estima e a originalidade e sermos, nós mesmos, nossos heróis. O que é relativamente simples, porém, exige uma capacidade de entendimento básica de alguns conceitos que vêm atrelados a ações do dia-a-dia, dando-nos a possibilidade de compartilhar o melhor que cada um tem para oferecer.

Então vamos começar a atuar conforme aquilo em que acreditamos, de forma madura, e esperando apenas uma possibilidade de conhecermos e curtirmos esse homem ou mulher de capa que repousa adormecido(a) em nós e aguarda uma oportunidade para mostrar o verdadeiro poder do que denomino As pequenas gentilezas do dia-a-dia. Aguarde!

Com carinho,
Daniel Franco

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