quarta-feira, 30 de julho de 2014

A política do cara legal

Todos os dias ouço a mesma coisa: reclamações e reclamações. Principalmente sobre os políticos. Hoje discuti com um colega de trabalho sobre a escolha do atual Prefeito de Campinas e cheguei à conclusão: o problema político do Brasil está baseado na Política do cara legal.

Quando falam sobre alguém a primeira atribuição destacada é “esse cara é legal”, ou diametralmente oposta, “esse cara é um chato”. Mas raramente ouço características menos superficiais como “esse cara é justo”, “ele é correto”, “olha que pessoa organizada”. Na maior parte das vezes, tais adjetivos são substituídos por outros como, “ele é um chato”, “vive pegando no meu pé”, “esse cara não me deixa trabalhar”, principalmente porque essas pessoas costumam ser atuantes contra o tal jeitinho brasileiro, aquele jeitinho corrupto mas que muitas vezes define se o cara é ou não legal.

Num ambiente bem brasileiro em que queremos ganhar o que não nos condiz com o menor esforço possível, o cara legal muitas vezes é o grande facilitador. São pequenas corrupções, como acobertar erros, receber “favores”, receber descontos que não deveria, não seguir procedimentos que existem justamente para resguardar a empresa, e assim vai.

Então percebi que o brasileiro, mesmo sofrendo o que sofre na mão de tanto malfeitor, não percebe esse culto e consequentemente não consegue atuar para mudá-lo. Sim, depois que o político escolhido rouba, fica bravo e o taxa de sem vergonha, mas não percebe que aquele cara chegou lá justamente pela cultura que o reclamante tanto defende no dia-a-dia, a tal da Política do Cara Legal.

Minha recomendação? Se aprofunde um pouco mais. O que ele já fez efetivamente? O que ele faz hoje? Aproxime-se das suas escolhas políticas, conheça-as de perto. É nas pequenas reações do dia que conseguimos perceber o caráter de alguém. Invista em quem realiza de forma justa e honesta.

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