quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Peru – 4º dia (Valle Sagrado)

Acordo cedo. Deveria ter dormido mais, mas não consegui. Não gosto disso, mas deve ser a excitação da viagem.

Feirinha
Tomo café, escrevo mais um pouco e em instantes estamos na rua trocando dólares, comprando pílulas para a altura e protetor solar. Pegamos o ônibus para começar nossa jornada pelo Valle Sagrado, região composta por várias cidades, cada uma com seus atrativos arqueológicos.

Nossa primeira parada é uma pequena feira, onde vemos pela primeira vez a llama e a alpaca. Em seguida paramos no meio da estrada para apreciarmos belíssima paisagem do Valle Sagrado, cruzado pelo rio Urubamba, que percorre toda a sua extensão passando também por Machu Picchu. A vista é realmente muito bonita.


Valle Sagrado
 Nossa próxima parada, a cidade de Picaq. Subimos a montanha e nos deparamos com uma estrutura para plantações e cidadela toda em pedra. Para minha sorte, tem banheiro para visitantes. Como estamos no alto, a vista, mais uma vez, impressiona. Pena que a câmera não consegue captar toda a grandeza da paisagem.

Picaq
Uma das coisas mais impressionantes do local é como enterravam os seus habitantes, enfiados em buracos na montanha. O impressionante nisso é que há lugares que me levaram a perguntar: como conseguiram chegar até lá e, ainda, enterrar alguém? Os buracos que hoje há são vestígios da violação por parte dos espanhóis na tentativa de encontrar ouro nos túmulos, sem sucesso, já que se tratava de pessoas simples, camponeses, cujos únicos pertences enterrados com eles eram engradados, roupas, materiais de trabalho e outras propriedades sem muito valor.

Seguimos o tour para nossa próxima parada, a cidade de Urubamba, parada para o almoço. A comida era à vontade, mas não exageramos. Nos doces, que mais queríamos investir, não pudemos. Era só um pedaço por cada doce. Fico frustrado.


Seguimos para Ollantaytambo. Percebo no caminho que as casas têm teto como os do Brasil. Aqui chove muito.

Em Ollantaytambo nos separamos do grupo por uma meia hora para comprar nossas passagens de trem a Águas Calientes, povoado onde fica Machu Picchu. Conseguimos para ir, mas não para voltar. O Aldo diz que não há problema, que la eles abrem passagens na hora. Hmmm... Logo em seguida vamos atrás do nosso grupo e começamos a subir, subir, subir e subir. São escadarias atrás de escadarias. Novamente, a paisagem é belíssima.

Ollantaytamba
As construções são impressionantes. Rochas imensas pesando mais de 50 toneladas, trazidas de montanhas vizinhas. Como? O guia nos explica a forma de transporte: centenas de pessoas puxando por cordas e tantas outras empurrando ao mesmo tempo, além das pedras circulares e troncos colocados embaixo para facilitar o movimento. Tudo bem! Uma coisa é puxar e empurrar na reta ou na descida, outra bem diferente é em terrenos íngremes, acidentados, subindo 100, 200, 500 metros ou mais. Percorrer aquelas escadas levando nada mais que o peso do corpo já não é fácil, imagina então carregar tudo aquilo. É realmente excepcional.

Rochas trabalhadas - mais de 50 toneladas
Alguns dos que vieram conosco ficam na cidade para pegar o trem ainda hoje. Eles devem pernoitar em Águas Calientes para no dia seguinte visitar Machu Picchu. Uma boa idéia. Era nossa idéia inicialmente, mas desistimos dela. Mais tarde descobriríamos que foi um mau negócio.

Seguimos para Chinchero, que fica a 3800 metros acima do nível do mar. No caminho, a paisagem admirável das montanhas e seus picos com neve.

No povoado, somos levados aonde as malhas são feitas. É um dos poucos locais com descendentes direto dos Incas. Isso se deve às restrições que lhes foram impostas desde séculos atrás, mantendo não só a linhagem, como também o conhecimento da costura e plantio.

Em Chinchero
Somos recebidos à base de chá de hortelã e nos explicam um pouco do processo de costura, desde a limpeza da lã, a geração dos fios, a coloração com plantas e quixonilha, à confecção dos tecidos, que pode levar de 1 dia a 1 mês, dependendo da complexidade dos desenhos e textura.

O apelo do guia para comprarmos delas é grande, o que nos leva a pagar o dobro do preço que conseguiríamos em Cuzco ou em Lima. Tudo bem, por mais que meu bolso tenha sentido o impacto, me senti bem por ter contribuído com pessoas tão sofridas.

Voltamos para Cuzco e terminamos nosso dia de expedições. Amanhã temos que acordar às 02h15 para pegarmos ônibus a Ollantaytambo, onde tomaremos o trem a Águas Calientes.

Nenhum comentário: