domingo, 6 de novembro de 2011

Peru – 2º dia (05/11)

Meu sábado começa cedo. Depois percebi o motivo. Primeiro porque dormi por volta de meia noite e segundo, porque a janela do quarto é de vidro e não tem cortinas escuras. Mas não fui o único. Meu brother levanta logo em seguida. 
A matriarca da familia, vovo' Ducelia,
no nosso cafe' da manha.
 O café da manhã é agradável. Rapidamente nos mexemos para aproveitar o dia. Vamos à escola onde estudamos antes de irmos embora. Minha vontade é de ir a pé. Essa questão de interagir com o povo realmente me fascina. Por mim, andava nas favelas para ver o dia a dia, mas não dá. Meus primos me advertem que realmente é um pouco perigoso e pessoas já foram mortas naquele bairro.

Adivinha! Vamos de taxi. Chegamos logo e vejo a minha antiga escola. Algumas coisas reconheço, outras não. Mais uma vez, minhas lembrancas tem outras proporções. Os prédios com as salas de aula são pequenos, assim como outras dependências que na época pareciam colossais.

Salas de aula de primeira serie.
 Lembranças da infância vem à mente: a lanchonete que vendia iguarias como pão com ovo, pão com abacate e sal (hmmmm!!!); as quadras poli-esportivas nas quais nos alinhávamos separados por classe, voltados para o palco para saudar a bandeira alcada todos os dias pela manha cantando o hino nacional ao som da banda do colégio com a mao no peito; a enorme pista de corrida semi-profissional; o gramado extenso onde cheguei a acampar com os scouts (escoteiros) da escola e fazer algumas de suas dinâmicas; o auditório; o palco externo onde tive a oportunidade de atualizar uma foto muito parecida que tirei exatamente no mesmo local 24 anos atrás durante minha catequese. Vi umas estruturas metálicas para exercitar-se e não agüentei. Fui imediatamente fazer alguns exercícios e acrobacias. O corpo ate tremia de tão desacostumado a esse tipo de exigência. Preciso retomar as atividades físicas.

Patio da escola. Nessas quadras
saudavamos a bandeira
 Estar ali era como se estivesse acessando memórias que estavam em algum lugar, guardadas. Quando começo a ver as coisas o cérebro acessa registros adormecidos e coisas das quais nem mais lembrava começam a se tornar familiares. Sensação estranha, mas interessante.

Não me agüentei e fiz um mayurasana ao lado do brasão da escola desenhado no jardim da entrada. Fiquei com vergonha de mostrar.

Esta é a versao comportada
De tanto insistir, vamos a pe’ `a casa do meu tio Chino. A recepção por parte da minha tia Julia foi emocionante. Como ela ficou feliz com nossa presença! Mesmo tendo avisado que almoçaríamos com nossos avos (para evitar dar trabalho e libera-los do ônus de gastar para nos alimentar), ela queria de qualquer forma nos brindar um delicioso almoço. Não conseguimos recusar e nos esbaldamos. Entrada de meio abacate coberto com uma mistura de ervilha, cebola e atum temperados; macarrão com frango frito para todos e macarrão com atum feito especialmente para mim. Quanta consideração. Ainda bem que voltei a comer peixe, senão seria difícil esta visita, tanto para mim quanto para meus familiares.

Casa do tio Chino. O jardim e'
muito bonito
O que achávamos se tratar de uma visita rápida se converte em bate-papo empolgado entre os presentes, primas Rosalyn e Evelyn, primo Juanito, tia Julia, tia Chino, tia Alicia, o Aldo e eu. Com tantas mulheres falando e com nossa empolgação em participar, o pobre do meu tio so’ ficava nos fitando, pensando não sei o que. Com certeza depois saberemos (rs).

Esta’ na hora de ir. Estamos preocupados com a vo’ Ducelia que nos espera para o almoço. Tadinha! Para nossa sorte, assim que desembarcamos do taxi nos encontramos com ela chegando da sua lojinha no mercado perto da sua casa. Vc acreditaria se disser que os três sem vergonhas comeram novamente? Hehehehehe. E nem deu vergonha. Rolou ate’ repeteco.

Sinceramente, fica difícil resistir a uma das mais bem renomadas culinárias em todo o mundo, a culinária peruana. E eu, sem parar. Meu irmão se retira para a ciesta e resolvo ir com minha tia Ali `a Punta, uma praia próxima que e’ uma ‘area fechada de pessoas de dinheiro e por isso mesmo, bem protegido, mas tamb’em um local aberto a visitacao. Finalmente ponho os p’es na ‘agua gelada do Pac’ifico numa das famosas praias de pedra. Mais um momento de resgate de mem’orias adormecidas. Estou falando do som da onda do mar se retraindo e puxando a ‘agua entre as pedras. Que som lindo. E’ o som da minha infância, da minha inocência, do meu olhar espantado para as pequenas coisas que aparentavam tão grandes. Uma sensação gostosa me invade.

Praia de pedras
La Punta: muito bonita
Damos uma volta e minha tia fica impressionada com as melhorias que foram feitas no local. Concordo plenamente. Al’em da beleza natural do mar, das montanhosas ilhas próximas e do horizonte no fundo da tela do mundo, praças bonitas, um café na beira do mar com visão panorâmica, mais de 18 mil gaivotas que migraram do Canadá e dos EUA, um cercado publico para brincar com os cachorros sem coleira quando forem passear (que idéia fantástica! Sempre quis algo assim para a Pituquinha. Se as solto fazem muito estrago). A limpeza e organização são exemplares. Mais uma vez, não parece que estamos no Peru que conhecia e do qual lembrava e ouvia falar. Se algum de nós fosse transportado para lá e pedissem para adivinhar em que país está, duvido que adivinharia.

A caminhada foi lenta e com um toque todo especial da beleza reveladora. Mas foi so’ pegarmos uma lotação e nos afastarmos 2 quadras do complexo visitado que começamos a ver o caos de Callao, área bem feia e perigosa. Definitivamente, não recomendado para turistas.

Nosso próximo destino é o bairro San Isidro para visitarmos o parque das águas. Pegamos 1 lotacao e 1 onibus e percebo que não tem roleta mesmo nos transportes maiores. O cobrador vai até o passageiro e cobra. O valor varia do destino, algo que achei diferente. Em Campinas, indiferente de andar 1 estação ou até o ponto final, subiu no ônibus pagou valor fixo.

Agua e iluminacao dando show

So beautiful!
Primeiro o bairro me transporta para uma cidade não do Peru, mas do mundo. Não sei onde estou. Estou confuso. Meu cérebro ainda não se acostumou. 4 soles é muito barato para o que o parque oferece. As fotos dizem mais do que muitas explicações.

Voltamos para casa num mix de micro-ônibus antigos e taxi e saímos de imediato para visitar minha tia Violeta. Obs.: ela mora a uma quadra de distancia.

Micro onibus dos antigos
Como o pessoal é super encanado com os perigos do bairro, as 4 primas vêm nos buscar na porta. Isso é um luxo ou humilhação? Ser protegido por elas? E o pior é que é verdade. o problema de andarmos por aí é que não somos conhecidos e pessoas desconhecidas são abordadas pelos locais. Como as meninas moram lá desde sempre, passam imunes entre grupos de moradores que se juntam nas esquinas, o que para nós, sozinhos, poderia ser perigoso. Por isso fico tranqüilo delas se movimentarem.

Revejo a família toda: tia Violeta, tio Felix, Jane e suas duas filhas, Roxana com marido e as duas filhas, Kike, Pocholo e esposa e Paty com a filha. Foi um encontro bastante agradável. Batemos papo com os vários estilos de musica que o pessoal aprecia rolando na TV tela plana, fomos buscar Anticuchos (churrasco de coração de boi, iguaria típica peruana vendida nas esquinas acompanhada com batata frita), experimentei um suco chamado Emoliente, feito da mistura de várias ervas. Dizem ser saudável. Também vendem nas esquinas.

Voltamos e demos continuidade à reunião regada a Pisco, cervejas Pilsen, Coca-Cola, Inka Kola, batatas “Ruffles”, dançamos salsa com as primas e demos muitas risadas. Uma reunião realmente muito bonita, mas o mais bonito é ver a felicidade dos meus familiares pelo simples fato de nos verem, de estarmos ali com eles. Isso é realmente priceless.

Nos retiramos logo após a meia noite. Precisávamos. Temos que estar de pé às 05h para voar a Cuzco. Nos levam em comboio para a casa da nossa avó, nos despedimos, preparamos as malas e apagamos.

Mais fotos:



Tio Roberto no café da manhã

Pátio de entrada do colégio San Antonio

Aldo na sua antiga sala de aula


Precisava de uma atividade física. Fiquei dolorido

Tantas lembranças vieram à tona





Replay 25 anos depois

Pronto! Mayurásana

Praia La Punta. Até minha tia ficou admirada com a beleza




Para criança não tem tempo ruim


Cercado para brincar com cachorros

Mais de 18 mil gaivotas vindas dos EUA e Canadá

Parque das Águas

Cada fonte com sua atmosfera musical

Tia Alícia


Show de projeção na fonte

Exibição de fotos do descobrimento
de Machu Picchu

Tunel de água. É difícil resistir à tentação de molhar o outro

Labirinto de água. Teve gente que entrou e saiu
sem se molhar

Pedi para andarmos de ônibus

Quanto mais velho, mais emocionante
Tia Violeta, Roxana, Pocholo e meu novo sobrinho

Janet, Aldo e tia Violeta

Nenhum comentário: