quarta-feira, 18 de maio de 2011

17/05/2011 – Irradiações de alguém sério

Foi no meio de uma visita à casa da Lú que as sensações foram se fazendo presentes.

Percebia uma certa estranheza, mas ainda sutil, na forma como eu observava a minha querida amiga durante conversa, com seriedade mesmo diante de contos engraçados. Não sei por que, não me vinha a vontade de rir. Algo estranho estava no ar.

Dali a algum tempo comecei a sentir um incômodo, como que uma certa irritação, vontade de pegar um bom vento forte, andar, correr, pular, e minha forma de falar e me comunicar, no geral, não pareciam naturais, mas como que sendo influenciadas por algo ou alguém.

Compartilhei a inquietação com a minha iniciadora nas artes dos resgates e sem se fazer de rogada espirrou no meu corpo o perfume de rosas que durante esta digitação abençoa meu espaço aéreo. Minha fisionomia então começou a se modificar, ficou muito séria, extremamente séria, podendo ser facilmente interpretada como carrancuda.

Expliquei que a única vez que isso tinha me acontecido foi quando, a pedido de ex-namorada, fui submetido à leitura dos búzios por um pai de santo de casa de Candomblé. Na época, sentei-me à sua frente enquanto que `a mesa que nos separava, os búzios revelavam as respostas das minhas inquietações. Foi ali que senti o mesmo que agora. Fisionomia e humor mudaram de tal forma, tão abruptamente, que eu não entendia. Compartilhei o que sentia, a alteração da postura na cadeira, que demonstrava retidão e certa autoridade, expressão séria e reprovadora e falta de total de senso de humor. Não era mal humor, apenas uma presença excessivamente séria. Na interpretação desse líder religioso disse tratar-se de um Orixá, seres que quando canalizados não se comunicam, apenas incorporam, dançam e logo se retiram. Informação captada, assimilada e guardada. Até agora...

Engraçado como a vivência é parecida. Além da expressão corporal, movimentos involuntários na região da boca e queixo, como que tremores internos. Muito peculiar.

Minha iniciadora e amiga faz aplicoes energeticas enquanto apenas vivencio, aprecio o momento. Ela vê e compartilha comigo a presença daquele que irei incorporar, ao meu lado, irradiando sobre mim alguns fluidos sutis, me preparando aos poucos, trabalhando sua influência para que meu corpo se acostume com seu padrão vibracional e paulatinamente me prontifique para a canalização.

Fico apenas curtindo o momento, percebendo as nuances e em silencio agradecendo a bênção de poder vivenciar tal experiência não premeditada e pensando no que a Lú me revela a respeito dos planos futuros muito próximos, visualizando um trabalho recompensador pelo objetivo e pelo tipo de público, que fará das nossas convivências motivo de alegria contínua pelo elevado grau de projeção moral e intelectual.

Abro os olhos, as cores estão mais fortes e sinto palpitações na minha cabeça, também involuntárias.

O tempo todo sob a irradiação das mãos amigas da minha companheira de bate-papo e de seu Mestre e, no final, uma sensação de leveza e tranqüilidade.

A hora vai passando enquanto conversamos, trocamos figurinhas, aprendemos e nos divertimos, mas o sono começa a bater e é tempo de me retirar. Ainda tenho uma estrada a pegar.

Termino a noite com este escrito e com a lua cheia brilhando lá fora, num céu aberto, bonito e frio. Amanhã, mais um dia.

Com carinho,
Daniel

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