terça-feira, 15 de junho de 2010

Hoje, chorei

Hoje, chorei.


Chorei concentrado no agradecimento

Com a tranquilidade de quem libera a alma

Ajoelhado e aos poucos caindo em prantos

Apreciando a emoção que lentamente foi me tomando


Na companhia do amigo sincero

No sentir a mão e o trabalho comigo realizando

Chorei, abrindo o coração para o ridículo

Sem me preocupar, no meu canto, sozinho, acompanhado, com isso


E na leveza posterior, com o cardíaco anestesiado

Busquei palavras para compartilhar o encanto

Que é poder chorar com leveza

Enquanto o mundo se preocupa em segurar esse divino momento, necessário



Com carinho,
Daniel

domingo, 13 de junho de 2010

Sentimiento anciano

He buscado por todos los lados

Mas el momento era de sentirme encorralado

He corrido intentando alcanzar algo

Pero no senti el avanzo de mis pasos

He intentado amar desesperado

Mas será que la respuesta es estar preparado?

Pues, si así lo es, necesito aprender a aguardar, callado

Y entender que el amor no es niño jugetón, y sí, sábio anciano


Daniel Franco

A raiva e a beleza da vida

Hoje assisti a parte final do filme chinês O Herói, com Jet Li e consagrados atores de mesma nacionalidade, apreciando a conexão da fotografia e sua relevância com o assunto abordado em cena. Não por acaso, indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro em 2002 e ganhador do Prêmio Alfred Bauer, no Festival de Berlim.

A história gira em torno do guerreiro Sem Nome, que jura vingar a morte de seu povoado por mando do rei de Qin. Para se aproximar o suficiente da realeza e concretizar sua vingança, bola um plano envolvendo 3 lendários assassinos. Dois deles são Neve que Voa e Espada Quebrada, que construíram uma relação amorosa calcada no ódio e no mesmo desejo de matar o monarca. Ambos já o haviam tentado.

Os dois amantes guerreiros enfrentaram sem dificuldade o exército real, adentraram o palácio e, na oportunidade perfeita de disferir o golpe fatal, Espada Quebrada poupa a vida do rei. Dizia ele tê-lo feito por ter entendido que por trás da guerra e de suas vítimas, há um bem maior: a união e a paz de uma nação. Neve que Voa não o perdoa e se afasta. Mais tarde, no final do filme, encontram-se novamente. Ela, revoltada por seu antigo amante ter persuadido Sem Nome a poupar o rei, inicia um combate.

Espada Quebrada, contra sua vontade, aceita o desafio, e na intenção de provar seu real e incompreendido amor, permite que um golpe fatal da enraivecida oponente perfure seu peito. Antes de morrer, explica o porquê de seu sacrifício e a cena que se segue me provoca forte emoção e lágrimas nos olhos. No deserto, solitária, uma mulher, uma guerreira, em prantos, sem ninguém a quem recorrer, sentindo a dor da perda de honrado ser humano, de um grande amor.

Muito me tocou esse desfecho principalmente porque me identifiquei com a errante, cheia de raiva, obcecada pelo desejo de vingança. Tal desejo que nos envenena por dentro e nos faz matar a cada dia a beleza da vida em nós e nos outros, nos quais tanto queremos descontar nossos desgostos pessoais.

Falava à minha querida amiga de Dedic, Eloisa, sobre ela ser a maior prejudicada pela sua revolta gritante contra o mundo, mas agora percebi que ao falar dela falava de mim mesmo. À minha ex-colega de trabalho, meu carinho e desculpas pela minha autoridade não merecida no assunto.

Com carinho,

Daniel

sábado, 12 de junho de 2010

Uma vida em minhas mãos

Considero crucial sempre expandir nossa compreensão sobre o funcionamento da vida, do universo, em todos os níveis possíveis. Percebo que quanto mais aprendemos sobre os mecanismos de uma área vemos similares aplicações noutras, como se existisse um padrão sistêmico, como se houvessem algumas leis que se aplicam a todos os tipos de ambientes, vertebrados ou em seu estado mineral.

E meus pensamentos sempre acabam visitando o assunto vida, a sua importância pela complexa estrutura entregue para ser administrada de forma a gerar entendimento e, ao mesmo tempo, da sua irrelevância quando considerada apenas como curta escola na interminável jornada da evolução.

Entendendo a vida dessa forma, é mais fácil tomar algumas decisões que outros vêem como complicadas demais.

Mas como ela nos prega peças...

Antes de me deitar para um sono de poucas horas na casa do meu irmão Edgar, escuto o bater das asas e colisões no estreito corredor do quintal. Saio e vejo no chão pequena ave, pousada como que em repouso no ninho. Aproximo-me com a intenção de capturá-la e ela, logicamente, se afasta tentando, sem sucesso, levantar vôo. Encurralo a pequena criatura e sem demora a envolvo nas mãos.

O que fazer com o bicho? Meu primeiro pensamento: agora está muito tarde para ajudá-lo. Preciso dormir. Então vou mantê-lo na casa, aquecido, e amanhã busco uma solução. Mas sou impedido pelo anfitrião. Sugere-me soltar a ave, e ao abrir as mãos no estacionamento para libertá-la, nada de se mexer. Acho que gostou do calor e da sensação de segurança proporcionados pelas mãos do, inicialmente, aparente predador.

Como meu coração se sentiu sinucado ao ver a inocente figura, pequeno ser, frágil, totalmente à mercê de minhas decisões mais ou menos sábias! Minha vontade ainda era de manter o bichano comigo para liberá-lo ao estar preparado, mas meu irmão me lembrou sobre as sábias e frias leis da natureza e me incentivava a entregar meu coleguinha ao seu habitat natural.

Lá vou eu pela segunda vez abrir, literalmente, as mãos de um ideal “inocente” e expôr o visitante a uma vida sem fundo musical. Novamente, para minha alegria, o bicho se nega a ir. Então me ocorre de deixá-lo aninhado nos meus tênis na parte externa da casa. Pelo menos passaria a noite seguro e aquecido. Mas um brusco agachamento assusta o jovem columbídeo e ele consegue, no espaço aberto da rua, encontrar altura num vôo que se perdeu no escuro da noite.

Confesso que fiquei tranqüilo por não mais depender de mim aquela vida, ao mesmo tempo que me questionei: o quanto estou preparado para tomar decisões ainda mais importantes do que essa? Daí me indigno com mais propriedade e questiono a falta de sensibilidade que permite ao algoz aplicar golpes mortais em inocentes e indefesas criaturas para alimentar-se de sua carne e utilizar de seus restos para outros fins, quando a delicadeza de seus olhares nos penetram a alma com a lembrança de nossos próximos e amados animais de estimação.

Para finalizar este texto, menciono frase de sábio homem que veio ao mundo para nos mostrar um caminho alternativo:

“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados”. Mahatma Gandhi

Com carinho,
Daniel