terça-feira, 9 de março de 2010

O sutil e o desejo

Procuro, à razão do desejo que me toma, desenvolver auto-disciplina para não fraquejar à chamada da natureza, gritante em meu interior feito uma energia selvagem que em sua essência me possibilita a embriaguês única a meu alcance.

É nessa melodia que meu corpo, todo ouvidos, busca o lenitivo. Mas, e a minha alma? Aquela que se encontra presa? Em que mata suas vontades? Numa oração? Na caridade? Haverá, enfim, como conciliar o desejo do corpo com a necessidade do espírito? Há lugar para tal encontro?

Que seja, então, no sexo contemplativo, que minha parte mais sutil se desafogue no mundo pesado das formas, admirando o que há de mais belo, além dos olhos, enquanto vêem a carne desnuda de uma humana e uma deusa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Quem é mais bela?
A flor que dou ou a bela donzela?

Esta poderia ser uma pergunta tola
Mas para cada afirmação simples existe um universo complexo que a concatena

Vou pela textura e não vejo como comparar
A suavidade da pele viva que me remete ao sensual
Com a sutileza da pétala, que a rainha mãe natureza, nos entrega

No cheiro procuro a fácil resposta, mas só mais problemas
Ao querer nivelar o viciante transpirar da pele morena
com o aroma suave da rosa vermelha

É nas cores e formas que busco saída
Mas ainda difícil de afirmar se, as curvas hipnotizantes dos quadris, peitos e pernas
Ou o frágil e calmante verde das folhas cuja presença a rosa tempera

Oh, mulher! Não me tentes em ser parcial!
Oh, rosa! Não existas para sê-lo

Em minhas mãos levo o presente e a solução vejo. Ah! Não mais se protela
É no complemento das duas que encontro a certeza
De não precisar comparar a bela com ela
Pois neste momento tudo o que importa é que cada uma delas
Ao som da melodia que a outra compartilha
Ter a obra prima da trilha sonora com a cena

Sim, tu és perfeita quando atendes meu chamado desesperado e te unes a ela
Para, enfim, me regozijar na contemplação do todo: harmonia entre o angelical e a beleza terrena