quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pedir desculpas é sempre bom

Estava indo a um compromisso com o horário meio comprometido, quando dou-me conta que não levava os refrigerantes de minha responsabilidade.

No caminho, em plena rodovia, a melhor opção era o Wall-Mart, no Shopping Dom Pedro. Logo na entrada, aquela fila básica típica de sábado à noite (você pode imaginar...), a busca por uma vaga mais perto do supermercado, o coração e a mente desnecessariamente acelerados e desço correndo para buscar logo meus produtos.

Na hora de sair do mercado, ainda aceleradíssimo, vejo ao lado da fila de 10 volumes um outro caixa normal aberto e terminando de atender seu único cliente. Dei sorte, pensei. Entro na fila comemorando mentalmente por minha agilidade quando levo uma bronca da atendente: - Este caixa já fechou! – Me comunica após alguns instantes com fisionomia não muito feliz.

Procuro os sinais de caixa fechado, comumente dispostos, esperando ter comido bola, mas nada. Ela então me diz que o sinal é o carrinho de compras com alguns itens na frente da sua estação de trabalho. E ainda o menciona com um ar de “preciso desenhar para você?”

O sangue me sobe à cabeça e me esforço para não ser grosseiro. Percebendo que meu corpo se preparava para o embate, faço esforço redobrado no intento de domar a fera e mudo completamente minha fisionomia, como o faz o gatinho do Shrek, com cara de coitado, junto a um “– Desculpa, eu não sabia...”.

Para minha sorte escuto “– Tudo bem! Pode passar aqui”. Nesse instante caiu novamente a ficha de como é bom não brigar. Como é bom pedir desculpas mesmo estando certo. Quanta coisa se consegue de positivo só precisando engolir um pouco do orgulho briguento.

Dizem que a responsabilidade maior reside naqueles que têm mais consciência. Neste caso, eu tenho conhecimento das coisas ruins com as quais compactuo quando me dou à briga, ao desentendimento. Vivemos uma cultura voltada para o mais forte, para o que sai por cima, para o ganhador de discussões. Esse é o melhor, o merecedor do pódio popular. No entanto, poucos se esforçam por enxergar que, num mundo de tanta violência, é nossa obrigação contribuirmos para momentos de maior humanização, dando exemplo de boa educação, bons modos, politesse e cidadania.

Fiquei feliz por ver que minha ação desarmou a agressora e a colocou numa posição “superior” que lhe dava a vantagem de ser detentora do poder. Mesmo podendo ter mantido a decisão de não me permitir passar por ali, preferiu fazer a boa ação e me atender. Quem sabe por ter notado que eu não tinha como adivinhar que aquele carrinho na fila, como qualquer outro, significava o que ela pensou; quer seja por perceber que foi injusta comigo; quer seja por ter ficado com o coração partido ao ver a minha “vulnerabilidade” ao pedir desculpas.

Não importa. O importante é que consegui canalizar uma energia potencial dela e minha, que poderia ter sido usada para deixar aquela atendente mais possessa, ter me tirado do sério, estressado a ambos, provocado um ar ruim no local e ainda dado a certeza à agressora de que as pessoas são realmente ruins e delas deve se proteger. Não. Em vez disso, usamos essa energia para algo bom, já que ela se sentiu bem pela “boa ação” de me permitir fazer uso da sua força de trabalho. E eu, com um pouco mais de consciência, fiquei feliz por ter podido manipular positivamente tal situação, no início, constrangedora.

E assim vou percebendo cada vez mais como é verdade o que o Mestre DeRose insiste em ensinar a seus pupilos e também àqueles que travam contato com sua literatura. Peça sempre desculpas, independente de estar certo ou errado. Pedir desculpas é um ato de inteligência. Há sempre algo de bom a se conquistar com isso.

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